Como surgiram algumas entidades na Umbanda

Colocaremos aqui, como surgiram os Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos e os Malandros, e Zé Pilintra nos terreiros em São Paulo.

Nordestinos oriundos da Bahia começaram a chegar à cidade para procura de trabalhos, ai começou nos terreiros estas pessoas a manifestarem os falangeiros, já que em suas cidades manifestavam em seus terreiros.

Não irei dizer que os Baianos que se manifestavam nos terreiros seriam da Bahia somente, visto que os Pernambucanos e migrantes de outras partes do nordeste vieram para Bahia, e com isto nem todos Baianos que começaram a aparecer nos terreiros incorporando em quem fosse médium seria só baianos, muitos deles eram de outras partes do Nordeste. Alguns baianos são sacerdotes, ou catimbozeiros, ou juremeiros etc. Tinham seus ancestrais africanos e mestiços e brancos e negros, e vieram da ancestralidade africana, sendo sua maioria Pernambucana.   Os pretos velhos não tão velhos e sim mais jovens, estes sim são os baianos. Dizemos que muitas vezes, os Baianos vêm cruzados com Exu.

São estes cruzados com muitos outros ORIXÁS, e principalmente com Iansã, e com isto vão entrar os cangaceiros. Com isto temos os Boiadeiros, OU SEJA, CABOCLOS DE COURO. São os mais próximos dos brancos e aprenderam com a cultura europeia, a se formarem no Brasil, dentro das fazendas tocando as boiadas. Para alguns, os boiadeiros são puros caboclos, não estamos falando de índios, e para outros uma linha a parte, chamados de caboclos mestiços. São relacionados COM OGUM E OYA também trabalham com energias de OXÓSSI E XANGÕ.

É atribuído aos boiadeiros o domínio aos Eguns, por serem eles que tocam a boiada de espíritos perdidos para seus locais de merecimento.

Isto através dos laços energéticos e magnéticos e os aprisionam. Estes espíritos que estão em desiquilíbrio. Portanto desde colocados no início são queridos nos pilares da Umbanda e os pretos velhos e os caboclos. Dai que surgiram estas duas linhas, que são totalmente colocadas por algumas casas totalmente fora do que surgiram e para que surgissem. Os baianos nem sempre são os baianos natural da BAHIA, foram migrantes de Pernambuco para lá há séculos, como na época todos que vinham de lá eram chamados de baianos, propagou-se nos terreiros esta linha, sem que seus dirigentes saibam sua origem, e também porque muitos que vem na linha dos baianos chegam cruzados nos terreiros, por estar trabalhando na falange de exu, para tirar todos Eguns e problemas das pessoas. Em 1960, quando da incorporação destas falanges todos terreiros eram necessariamente informados que deviam abrir seus trabalhos na terças feiras com a linha de baianos e boiadeiros, e jamais se fazia trabalhos em outros dias, ficando para as sextas feiras os trabalhos com a linha da direita, ou seja, os caboclos índios e outros. Na Fucesp era obrigatório seguirmos estas datas semanais, tínhamos um grupo que abriam os trabalhos nas terças e outros na sextas. Isto devido a Egrégora que se formavam entre todos os terreiros, nos dias de trabalho, mas todos podiam participar na incorporação. Eu fui um designado pelo dirigente a abrir nas terças, por meu baiano vir cruzado na linha de exu, até hoje nos tempos atuais geralmente ele vem cruzado com exu. Temos estórias africanas que os baianos tem um pé lá e outro cá, cruzado com exu, para que os trabalhos tenham mais energias.

Os boiadeiros são falanges que deixaram de ser exu, mas não são geralmente todos, temos boiadeiros mais evoluídos moralmente e diferente dos exus, mas não no campo intelectual.  As duas linhas são queridas, quanto aos baianos tem este intercambio com a esquerda (exus), mas não é tão próximo, nunca pensar que eles são da esquerda. Apenas trabalham próximos e pelo passado deles terem sido pessoas violentas, que ascenderam a uma condição melhor espiritualmente. Se nós pensarmos bem concretamente, a linha de baianos como já falamos anteriormente, não são os que incorporamos e sim são Pernambucanos nos trabalhos, e foram chamados de baianos porque eram eles que vinham para cá e todos eram chamados de baianos. Se acharem estranho, e só ver a estória dos Árabes, para vir para o Brasil, tinham que passar pela Turquia e saiam como turcos com passaporte turco e nenhum queriam que fossem chamassem de Turcos. Muitas destas histórias são encontradas no livro Encantaria Brasileira que também fala do tambor de Mina.

Escritor Douglas Rainho=

Deixamos claro que a linha de baianos apareceu primeiramente na Bahia e no Rio de Janeiro, vindo de diversas partes do nordeste, mas estes não são baianos natos e sim como já citei pernambucanos.

Os marinheiros, não são linha de trabalhos nos terreiros e sim veem para limpar, descarregar as casas, terreiros, templos etc. Raramente vem bêbado (o que muitos acham pelo balanço e pensam que beberam) e sim balançam para levar as energias ruins. Jamais estão bêbados e sim embriagados pela energia do mar, trazendo a força do mar com suas ondas e deixam eles poucos tontos e que as pessoas pensam que estão bêbados, Trazem as forças do mar para levar os eguns e todos fluidos ruins dos terreiros, mas jamais devemos servir pinga ou bebidas alcoólicas, pois não são estas energias que querem. Mas vemos poucos terreiros trabalharem com esta linha por falta total de conhecimento, achando que são bêbados e servem mais bebidas, e ai se vai às energias do terreiro.

Lembrem-se o balanço dos marinheiros não são por causa da bebida e sim embriagados pela energia do mar.

Temos nos terreiros os Ciganos, que apareceram na década de 1960, eles têm uma estória sofrida, formavam grupos saídos das Índias eram a subcasta, dos indianos e foram expulsos e caminhando passaram pelo Egito, com todo sofrimento. Chegaram ao Brasil, não tinham Pátria, nem lastro, nem identidade, por isto juntavam moedas, ouro, e isto era a poupança deles, como sempre faltavam dentes, colocam de ouro, para que estes fossem sua poupança. Na antiguidade as mulheres engravidavam e iam ter os filhos pertos das tendas deles ciganos, com isto iam ficando com as criancinhas, dai surgiram os boatos que ciganos comiam as criancinhas deixadas pelas mães. Eles têm origem Hindu, origem Oriental, eram pessoas que andavam muito e por isto não queriam levar crianças, cantavam ,dançavam, eles representam a quebra dos paradigmas. Eles têm relação com OXUMARÉ. Em seus primeiros mistérios e com Logunam, que é o mistério do tempo, com OXUMARÉ pela alegria, apesar do sofrimento e com as cores usadas por eles, eles tem o poder no amor, na ajuda a vencer os preconceitos. Quando incorporamos ciganos não precisamos falar espanhol, que é falado misturado com português, por estarmos no Brasil. Louva santa Sara de Kali que representa uma santa negra, e na Umbanda é sincretizada com EGUNITÁ, que representa o povo do Oriente, que vieram para colonizar nosso país, como os Turcos, Hindus, Árabes Incas, e muitas outras raças.

Vamos comentar o surgimento dos Malandros, que há pouco tempo passado surgiram no Rio de Janeiro, por volta de 1940, falamos de malandros nos terreiros. Lá a malandragem onde já existia a boemia, e em São Paulo quando começou a surgir a linha de malandros por volta de 1980. Era raro sabermos que algum terreiro trabalhava com esta linha ou com Zé Pilintra aqui em São Paulo. Onde a linha de Candomblé começou a ficar forte aqui próximo deste ano, surgindo dos terreiros da Bahia.

Eles não são bandidos do morro e sim os que sabemos que viviam na e da boa malandragem, os que viviam na boa e à custa de outros e de mulheres e de outras fontes, claro que seriam uma falange antiga, mas não se manifestava em terreiro algum por outras partes, só no Rio. Eles gostam de dançar, namorar, jogar, mas não enganavam ninguém, eram os bons malandros e de boa malandragem, onde depois de alguns anos os terreiros começaram a receber estas manifestações de pessoas que vinham destes locais e começaram a incorporar, e alguns se aproveitaram destas manifestações e começaram a aproveitar das pessoas em seus terreiros, alegando serem os malandros. Zé Pilintra em vida, conta sua estória, era um mestre da Jurema, sua família eram mestres das Juremeiras, ou sejam cultuavam os atendimentos na base das ervas da jurema. Morava na Lapa e foi se envolvendo com o samba, mulheres, boemia e era ao mesmo tempo um rezador. Ele representava algo de bom para a gente humilde vinda do nordeste para o Rio e pegou fama, como gente do bem para quem quisesse ter sorte na vida e etc. Na Umbanda temos:

ZÉ PILINTRA   = MALANDRO.

ZÉ PILINTRA   = PRETO VELHO.

ZÉ PILINTRA   = BAIANOS.

ZÉ PILINTRA   = DE OXALÁ.

Ele vem naqueles que lhe dão abertura, não é da direita e nem da esquerda, trabalha tanto no Catimbó, com a linha das Juremas, trabalha com fumaçadas, ou seja, ervas queimadas na direita e também com fumaçadas na esquerda.

Se seu chapéu é viradinho para direita, ele esta trabalhando na linha da direita, com caboclos, pretos velhos etc.

Se seu chapéu esta virado para esquerda, ele esta trabalhando com as linhas dos exus.

Raros são os que conhecem estes lados dele, e trabalham como acham que ele é, e não resolvem nenhuma energia, sem que o sacerdote ou mestre saiba com quem esta trabalhando, para usar seus apetrechos, e ajudar que o procura. Portanto temos várias ramificações que trazem Zé Pilintra, só que devemos saber com qual ele vem no dia, para evitarmos trabalhar e termos alguém que conhece e nos indagar sobre o erro.

Portanto nós como sacerdotes, temos a obrigação de sabermos tudo exposto acima, com quem, com qual, o que fazem, porque fazem, e quais são as linhas que estão trazendo no dia do trabalho, não é só cantar e incorporar, claro 99% não sabe e outros não querem saber, apenas incorporam e ninguém pergunta, e se o fizerem a maioria não saberá responder. Temos as linhas colocadas acima, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, Malandros e de Zé Pilintra, todos nós devemos saber porque e responder com convicção sobre estas falanges, para fazermos uma Umbanda mais atuante e mais firme.

 

 

 

 

                                                                        SACERDOTE PAI SALUN

                                                                        FUCESP

                                                                        ENTIDADE RELIGIOSA E DE ENSINO EM TODO ESTADO