Fevereiro 12, 2018

AS GUIAS E OS BRAJÁS

FUCESP – FEDERAÇÃO DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DO ESTADO DE SÃO PAULO.

 

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) –

Sacerdotes 2018

 

TEMA: A importância das guias e dos brajás na Umbanda

 

Sacerdotisa Joana Andreotti

 

 

 

APRESENTAÇÃO

Como dirigente espiritual do TEMPLO DE UMBANDA CABOCLA ÁGUIA DOURADA E PAI JOAQUIM DE ANGOLA têm, nos últimos anos, observado a ânsia de filhos da casa, principalmente os novatos, e isso é comum na grande maioria dos terreiros, de querer encher o pescoço de guias.

Estes filhos sempre perguntam se podem comprar tal guia se podem usar as guias no dia a dia etc, ou alguns vão a uma loja de artigos religiosos e escolhem as mais bonitas e mais brilhosas, as compram e chegam ao terreiro, no dia de trabalho, todos orgulhosos mostrando o que foi comprado. Alguns dizem que compraram “por inspiração”. E chegam até a adquirir brajás por terem achado estas peças bonitas.

Mas, poucos sabem da importância do uso delas nos trabalhos de Umbanda. Elas são muito mais que um fio de contas para enfeitar o pescoço e chamar a atenção da assistência.

O uso das guias depende da orientação de cada terreiro. Existem aqueles que os filhos da casa só usam a guia de Oxalá. E isso não tira a importância daquelas casas que usam muitas guias.

Há médium que acha que, quanto mais guias usar no pescoço, mais importância ele tem no trabalho espiritual. Mas, a quantidade de guias penduradas pouco importa para a espiritualidade do médium e do bom andamento dos trabalhos espirituais.

Por isso, de maneira rápida, resolvi falar um pouco a respeito da importância das guias e dos brajás na religião Umbanda.

 

AS GUIAS E OS BRAJÁS

As guias são muito mais que um fio de contas pendurado no pescoço. Elas – depois de consagradas – são um elemento de proteção para o médium e de conexão com o Orixá e/ou entidade que ela (a guia) representa. De maneira mais prática, podemos dizer que as guias, no

trabalho espiritual, criam um portal sagrado entre o médium e os Orixás, por meio de um campo energético.

É o elo de ligação do médium com o Orixá a qual ela faz referência.

Mas, se o médium não usá-las durante o trabalho, isso quer dizer que ele não irá se conectar ou estará desprotegido? Não, pois o próprio terreiro, com seus assentamentos e sua egrégora espiritual, e a presença dos guias, darão proteção aos filhos da casa.

Portanto, não é necessário se encher de guias, pois elas só vão cansar o pescoço e podem, inclusive, atrapalhar a desenvoltura do médium no trabalho do terreiro.

As guias são elementos sagrados e seu uso precisa de muita atenção e respeito. Não se pode pegas as guias usadas no terreiro para o dia a dia.

As guias usadas no terreiro tem uma função, as usadas para ir ao trabalho, por exemplo, tem outra função. Não é nada adequado pegar a guia depois de um trabalho espiritual e ir com ela para o, restaurante, faculdade ou mesmo balada. Isso não convém. O sagrado deve ser usado no sagrado, que é o terreiro; a guia que é para o cotidiano deve ser usada no dia a dia.

A guia no terreiro, como já foi explicada, tem finalidade de conectar o médium ao Orixá, ao mundo espiritual, pois ela cria um campo energético, garantindo também proteção e amparo.

A guia usada no dia a dia tem a função, simplesmente, de proteção, absorção de energias negativas (bem mais fortes fora dos terreiros), sustentação e descarrego.

É importante que o médium, se quiser usar uma guia fora do terreiro, tenha uma exclusiva para esta finalidade, consagrada para tal.

É como a questão da roupa. Um enfermeiro, por exemplo, não deve utilizar a sua roupa de trabalho como roupa de santo. Não convém.

Também é comum observamos médiuns utilizando brajás. Os brajás têm mais fios, geralmente de 7, 14 e 21. Eles são uma referência ao cargo ocupado dentro da casa. Geralmente, o brajá de três fios é exclusivo de pais e mães pequenos; o de sete, de sacerdotes e dirigentes espirituais.

Portanto, o filho da casa deve utilizar apenas guias.

 

CONCLUSÃO

A importância da guia no trabalho espiritual não está na quantidade, no tamanho e nem o quanto ela brilha. E ninguém é melhor ou mais importante que o irmão da casa pela quantidade de guias penduradas no pescoço.

Antes de tudo, não se pode chegar numa loja de artigos religiosos e sair comprando as guias mais bonitas, mesmo que o médium ache que lhe surgiu uma “inspiração” para comprar aquelas peças.

As guias devem ser compradas somente quando o dirigente espiritual determinar ou a própria entidade, durante o trabalho espiritual, pedir. Não se deve comprar nada por vontade própria, pois de nada vai servir. O terreiro é quem vai determinar o que é melhor.

É bom lembrar que as guias, quando saem da loja, são simplesmente colares. Elas precisam ser consagradas pelo guia espiritual. O mais importante é que, em qualquer caso de dúvida, se deve conversar com o dirigente espiritual.

Guia é algo muito sério e precisa ter sentido na vida e no trabalho espiritual do médium. Fora isso, é um simples adorno.

 

 

FEDERAÇÃO DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DO ESTADO DE SÃO PAULO (Fucesp)

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) –

Sacerdotes 2018

TEMA: A importância das guias e dos brajás na Umbanda

Sacerdotisa Joana Andreotti